tchau tédio
novembro 15, 2009
tédio: aborrecimento, enfado, fastio… tedioso.
que tal falarmos sobre o tédio? sentir falta do caos urbano nos domingos (principalmente) é uma das coisas mais comuns que pode-se perceber atualmente. leu-se outro dia que a depressão será a segunda causa de morte mundial até 2020 e só perde para as doenças cardíacas. isso nã0 assusta, porém faz pensar. dentre os males existentes, o pior deles é o aborrecimento pela falta do que fazer. não é que falta o que fazer, o que falta é encontrar prazer nas pequenas coisas e isso certamente é um desafio para quem vive no século XXI em função da tecnologia, do tempo, dos afazeres do cotidiano e etc. procura-se o significado da felicidade por todos os lados e por mais que a gente acha que é difícil sentir-se plenamente feliz, é fácil. o que complica são todos esses slogans comerciais que nos rodeiam cotidianamente exibindo uma vaga idéia de felicidade que na verdade não existe. a vida não é um produto que você pode negociar, ela é algo belo e magnífico que nos dá a possibilidade de sentir e de sonhar e é através desses recursos que a gente encontra o sentido de viver. é de dentro para fora e não o contrário como parece. quando eu era pequena eu era maluca por finais de semana. não tinha escola, dava para dormir até mais tarde e o principal: brincar! passava as tardes articulando idéias como montar uma pipa, juntar pedrinhas na rua, subir no pé de amora que havia na casa da vizinha, andar de bicicleta, brincar de pega-pega e esconde-esconde e aquela outra brincadeira que esqueci o nome, mas que cada um dos integrantes é uma fruta e joga-se uma bola quando grita o nome da fruta, algo assim. quando se é adulto você não tem mais aquela ‘turminha’ da rua que você encontra toda santa hora aprontando alguma coisa e parece que você perde um pouco daquele entusiasmo porque normalmente fica mais cansado das atividades da semana. por vezes fiquei aborrecida nos finais de semana, triste por ficar em casa enquanto algumas pessoas pareciam se divertir em bares e danceterias. por mais que você tente entender os ritmos alheios de nada vai adiantar se não entender o seu ritmo. percebi que o problema não era o local e muito menos as companhias ou os namorados. o problema era comigo e assumir isso era difícil. foi então que a busca pela paz me abriu portas. pude resgatar aquela menina de imaginação fértil que um dia fui, não que tivesse a perdido, apenas me esqueci dela. e a encontrei através de coisas simples como ler uma poesia, desenhar ou dar uma geral no armário… ler cadernos antigos, ver fotografias e lembrar de coisas bonitas. o sofrimento também traz maturidade e é preciso saber equilibrar as coisas positivas com as negativas. para não me estender muito com esse assunto eu vou ser bem prática e objetiva com um conceito de felicidade: jamais perca aquela criança que um dia você foi, pois é ela quem vai te guiar e te trazer os sonhos necessários para combater todos esses obstáculos que a vida adulta costuma colocar nos trilhos. se preciso for saia por aí e procure pedrinhas.

Simples e belo como toda lembrança deveria ser…
beijos
Relembrar é viver, ou melhor, relembrar é REviver, tudo passa e deixa marcas.