Poema de Natal

dezembro 24, 2009

POEMA DE NATAL

era noite de natal,
sinetas, touquinhas
botas, sacos, meias
um sorriso sideral

eu na calçada
beiço arrastado
e barriga esfomeada

luzes coloridas
praças enfeitadas
e um tosco a atravessar

era noite de natal
coral, igreja e tal
mais um tostão
nada mal

eu na calçada
noite de natal
pessoas a passar
uma moeda e um pão
hão de me dar

das entranhas

novembro 22, 2009

há dois tipos de escritores: os que se deleitam e os que sofrem. aqueles que se deleitam se sentem muito confortáveis diante de uma página em branco. os que sofrem são o avesso: sentem dor e muita dificuldade em começar um texto. pois bem, não há receita para mudar o que nasceu em você. escreve quem sente prazer e necessidade, ambos assim ou separados. aquele que escreve por puro prazer pratica a escrita com frequência e desenvolve seus textos com muita astúcia e facilidade. aquele que escreve com dor sente frio na barriga e ansiedade. precisa de inspiração e leva horas para iniciar um texto. frequentemente apaga as primeiras linhas por insegurança. a preocupação dele não é com o leitor, mas sim com o que se passa nas suas entranhas. escrever é muito mais do que um prazer, é tirar o que tem de mais característico dentro de você e é aí que mora a dificuldade do escritor sofredor. o prazer dele é o desafio que essa atividade propõe e por vezes ele pensa em desistir, mas o fascínio em mergulhar nesse mundo íntimo é tão grande que ele se deixa levar pela onda mais forte. quando enfim consegue passar da terceira linha de texto ele vai sentindo mais segurança e percebe que mergulhar sem bóias pode ser mais perigoso, mas também mais prazeroso se você respeita as profundidades. lá no fundo você encontra enigmas, idéias, sonhos, medos, perspectivas e resgata a sua autenticidade. talvez esse seja o maior triunfo dos escirtores: achar-se através das reflexões postas no papel.

tchau tédio

novembro 15, 2009

tédio: aborrecimento, enfado,  fastio… tedioso.
 
que tal falarmos sobre o tédio? sentir falta do caos urbano nos domingos (principalmente) é uma das coisas mais comuns que pode-se perceber atualmente. leu-se outro dia que a depressão será a segunda causa de morte mundial até 2020 e só perde para as doenças cardíacas. isso nã0 assusta, porém faz pensar. dentre os males existentes, o pior deles é o aborrecimento pela falta do que fazer. não é que falta o que fazer, o que falta é encontrar prazer nas pequenas coisas e isso certamente é um desafio para quem vive no século XXI em função da tecnologia, do tempo, dos afazeres do cotidiano e etc.  procura-se o significado da felicidade por todos os lados e por mais que a gente acha que é difícil sentir-se plenamente feliz, é fácil. o que complica são todos esses slogans comerciais que nos rodeiam cotidianamente exibindo uma vaga idéia de felicidade que na verdade não existe. a vida não é um produto que você pode negociar, ela é algo belo e magnífico que nos dá a possibilidade de sentir e de sonhar e é através desses recursos que a gente encontra o sentido de viver. é de dentro para fora e não o contrário como parece. quando eu era pequena eu era maluca por finais de semana. não tinha escola, dava para dormir até mais tarde e o principal: brincar! passava as tardes articulando idéias como montar uma pipa, juntar pedrinhas na rua,  subir no pé de amora que havia na casa da vizinha, andar de bicicleta, brincar de pega-pega e esconde-esconde e aquela outra brincadeira que esqueci o nome, mas que cada um dos integrantes é uma fruta e joga-se uma bola quando grita o nome da fruta, algo assim. quando se é adulto você não tem mais aquela ‘turminha’ da rua que você encontra toda santa hora aprontando alguma coisa e parece que você perde um pouco daquele entusiasmo  porque normalmente fica mais cansado das atividades da semana. por vezes fiquei aborrecida nos finais de semana, triste por ficar em casa enquanto algumas pessoas pareciam se divertir em bares e danceterias. por mais que você tente entender os ritmos alheios de nada vai adiantar se não entender o seu ritmo. percebi que o problema não era o local e muito menos as companhias ou os namorados. o problema era comigo e assumir isso era difícil. foi então que a busca pela paz me abriu portas. pude resgatar aquela menina de imaginação fértil que um dia fui, não que tivesse a perdido, apenas me esqueci dela. e a encontrei através de coisas simples como ler uma poesia, desenhar ou dar uma geral no armário… ler cadernos antigos, ver fotografias e lembrar de coisas bonitas. o sofrimento também traz maturidade e é preciso saber equilibrar as coisas positivas com as negativas. para não me estender muito com esse assunto eu vou ser bem prática e objetiva com um conceito de felicidade: jamais perca aquela criança que um dia você foi, pois é ela quem vai te guiar e te trazer os sonhos necessários para combater todos esses obstáculos que a vida adulta costuma colocar nos trilhos. se preciso for saia por aí e procure pedrinhas.
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